19/9/10
Comentários às objeções - Eisler
Estudo do livro Em Defesa da Astrologia de John West – Cap 2º Objeções à Astrologia A) Testemunhas de acusação – A rainha da mistificação- Comentários
Conheça o livro, clicando aqui http://ecologiadoser.blog.terra.com.br/2010/03/29/estudo-do-livro-em-dedesa-da-astrologia/
Até hoje os devotos da astrologia não se cansaram de repetir a amarga queixa de Alfred John Pearce, que escreveu em seu Texlbook of astrology (Manual de astrologia) — (1911): "Por que a grande maioria dos sábios dos séculos XIX c XX negaram haver alguma verdade na astrologia? A resposta é: porque eles nunca a investigaram, sendo preconceituosos demais para fazê-lo".
Esta acusação irrefletida à erudição contemporânea é, em si, prova suficiente ou de uma absoluta falta de boa fé, ou do desconhecimento quase inacreditável de todos os trabalhos acadêmicos já dedicados ao estudo da astrologia, desde a época do grande francês Salmâsio (Salmasius, 1648), o correspondente de Milton, até nossa própria época, que testemunhou a decifração, edição e tradução dos mais importantes textos astrológicos da Mesopotâmia e do Egito, a publicação, em mais de 12 volumes, do Catalogue of greek astrological manuscripts (Catálogos de manuscritos astrológicos gregos) sob a direção de Franz Cumont e de Wilhelm Kroll, a redescoberta e publicação de Sphaera Barbarica, por Franz Boll (1904), dos textos astrológicos de Hermes Trismegisto por Wilhelm Gundel (1936) e a pesquisa e investigação de todo o material disponível, feita por homens como A. Bouche-Leclercq (1899), Carl Van Bezold (1914), Reginald Campbell Thompson (1900), Charles Virolleaud (1914), Aby Warburg e todo um grupo de jovens inspirados por seu exemplo. Nenhum de seus livros, da relação dada a seguir, jamais é citado por alguns dos defensores da astrologia. Eles não aceitarão o fato decisivo — de sua prática fútil já foi investigada com o maior cuidado e imparcialidade pelos maiores doutores das principais nações do Ocidente ao longo de mais de três séculos, e que nenhum deles deixou de condená-la como herança desgastada e supersticiosa daquilo que foi antes a grande religião panteísta a uma gloriosa tentativa filosófica de compreender e explicar racionalmente o universo (…)
Robert Eisler, A arte real da astrologia, p. 27.
Tão grande foram o cuidado e a imparcialidade com que esses doutos estudaram a astrologia que, no prefácio de sua obra, Bouche-Leclercq pede desculpas por ter efetivamente tentado trabalhar com a astrologia, e examina a base de seu simbolismo com a seguinte frase: "Nós não desperdiçamos nosso tempo com o estudo de algo com que outros já desperdiçaram o tempo deles"; uma atitude recomendada com entusiasmo por Eisler. Franz Boll, desafiado numa palestra por nunca ter montado um horóscopo, respondeu imparcialmente: "Ainda não somos loucos o suficiente para perdermos nosso tempo dessa forma".
Até onde sabemos, nenhum crítico da astrologia jamais tentou submeter a astrologia ao teste da experiência. Isto, por si só, tampouco resultaria numa prova (positiva ou negativa) científica decisiva. (Crianças sem ouvido musical que recebam violinos para tocar parecerão refutar a possibilidade da música.)
Porém, com o elemento de interpretação (ou seja, o lado artístico) é fundamental à prática da astrologia, é ilegítimo e deliberadamente enganoso descartar toda ela como sendo pseudociência — especialmente quando seus praticantes mais eminentes insistem em afirmar que a astrologia não pode, por natureza, ser reduzida ao estado de ciência puramente quantitativa. (A ideia de ciência puramente quantitativa é ilusória, para começo de conversa; isso foi reconhecido por todos os cientistas que endossam as teorias estabelecidas da física moderna.)
Na prática, o que isso significa é que esses cuidadosos e imparciais estudiosos dos séculos XIX e início do XX, citados por Eisler, ao começarem pela premissa de que "a astrologia não pode funcionar, por isso não funciona", produziram um volumoso corpo de obras originais e escrupulosamente tendenciosas (totalmente baseadas no indefensável modelo histórico do ‘caldeu sonhador’ e na cosmologia de bola de bilhar da física newtoniana então reinante).
Continua….
Sonia Beth – Astrologia
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