25/7/10
O SÉCULO XVIII E O TRIUNFO DA RAZÃO2
Continuação do estudo do livro Em Defesa da Astrologia de John West - Cap. I Origens , Parte B - A prostituta da Babilônia – A filha tola
Conheça o livro, clicando aqui http://ecologiadoser.blog.terra.com.br/2010/03/29/estudo-do-livro-em-dedesa-da-astrologia/
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Na França, dava-se um processo idêntico, c seus toques finais foram aplicados pelo brilhante equivalente de Swift, Voltaire, que procurou assiduamente manter separada a teoria da prática da razão.
Dois astrólogos, o conde de Boulainvillicr c um astrólogo profissional chamado Colonne, previram, independentes um do outro, a morte de Voltaire aos 32 anos. Uns 34 anos depois desse prazo, Voltaire, numa carta publicada, pediu humildes desculpas a esses cavalheiros por ter perturbado suas previsões. Mas a carta pôs cm risos toda a França literária, servindo para apressar a saída da astrologia do rol de interesses ’sérios’ naquele país.
No entanto, Voltaire se esqueceu de mencionar que, aos 32 anos — no ano previsto para sua morte — ele foi insultado pelo duque de Rohan, retrucando com sua costumeira ironia. Pouco depois, foi encurralado por bandidos c golpeado a bastão, enquanto o duque de Rohan observava. Não encontrando quem tomasse seu partido, após três meses Voltaire se viu obrigado a desafiar o duque para um duelo, o qual certamente perderia. Na manhã do duelo, porém, foi providencialmente preso e mandado para a Bastilha (por algum delito anterior), o que, muito provavelmente, salvou sua vida e lhe deu a oportunidade de ridicularizar aqueles astrólogos 34 anos depois dos fatos, por não terem sabido distinguir entre sua morleefeliva c essa situação quase fatal…
Tivesse ocorrido dois séculos depois, esta história seria citada de um canto a outro da França como exemplo de boa previsão astrológica.
No século XV, as pessoas acreditavam em tudo o que se referisse à astrologia; nos séculos XVIII e XIX, não acreditavam em nada.
O suposto poder de previsão da astrologia é, historicamente, seu principal atrativo popular. Contudo, é difícil defendê-lo hoje cm dia perante os tribunais. Não se fez nenhuma tentativa séria e organizada dc testar a previsão astrológica — a pesquisa de previsões dc jornal feita por Culver c Ianna foi muito geral e rudimentar para poder efetivamente ‘desacreditar’ a astrologia, tal como alegaram. O projeto de um teste verdadeiramente justo requer engenhosidade,cooperação (o que constitui uma previsão realmente ‘precisa’?) e deve poder ser executado sob condições mutuamente acertadas entre os astrólogos e seus oponentes.
Com base em longa experiência pessoal, somos cautelosamente otimistas quanto à obtenção de resultados favoráveis à astrologia submetida a testes justos. Porém, mesmo se o número estatístico de ‘acertos’ se mostrasse desapontador, é inegável que, no longo curso da história da astrologia, houve tantas previsões precisas e documentadas que seria indefensável — não apenas tolice — descartá-las como coincidências. Por exemplo: na corte austríaca de Maria Teresa, o astrólogo real ainda encontrava emprego. Quando nasceu Maria Antonieta (no mesmo dia do terremoto de Lisboa, em 1740), a leitura do horóscopo foi tão sombria que a comemoração normalmente feita no nascimento de uma princesa foi cancelada, e toda a corte mergulhou em profunda melancolia.
São poucos, ao longo da história, os personagens cujas vidas foram mais infelizes e desastradas que a de Maria Antonieta. Porém, esta história é citada por Hilaire Bolloc, em sua biografia de Maria Antonieta, para ilustrar a ignorância da corte austríaca, que ainda acreditava naquela superstição desmoralizada, a astrologia. Seria o equivalente a acusar a medicina de fraude citando, como evidência, todos aqueles curados por ela.
Sonia Beth – Astrologia
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